Por fora ele tinha a imagem que todas gostavam. Alto, pele clara, cabelos fora de ordem e negros. Os olhos eram duas esferas perfeitas de uma escuridão absurda. O jeito de andar, o modo como falava e até o perfume indicavam o cara errado, perfeito pra você não se apaixonar. Era audacioso, corajoso, empolgante, sedutor... viciante. Por dentro era um garoto que chorou com a primeira decepção amorosa e por culpa disso, nunca mais acreditou no amor. Em algum lugar na estrada da vida ele perdeu o coração para alguma mulher sem coração. Ela levou-o como lembrança de um história adolescente que terminou de forma nada agradável. Como terminou? Ela o feriu com a própria espada. Traição. Quem era caçador, virou caça.
Mas de tudo o que vivemos, tiramos uma lição... ele também. Nunca mais se apaixonou. Podia alguém viver sem uma alma? É, talvez não dê para amar quando não se tem um coração. Mas ele não entendeu que o amor sempre acontece. Uma hora ou outra ele aparece, geralmente dos momentos mais inesperados, e nos abala, bagunça, confunde, mistura, mexe e remexe. E às vezes se vai, mas acredite, ele sempre volta.

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