Hoje, indiferente dos demais dias, pensei em você. Lembrei de você, de mim, de nós, do nada que ficou, do tudo que antes era. Fiquei fantasiando com as lembranças e quando vi estava falando sozinha pela sala. Sentada no chão frio, me dei conta de quão sozinha estava. Uma casa vazia, as paredes sem cor, o ar sem seu cheiro... eu sem você. Parecia tão melhor antes, tão mais aconchegante, tão menos cinza. As nuvens tampam o sol lá fora, mas ainda que ele brilhe, aqui dentro ainda é frio. Quase pude sentir seu toque, quase senti seu cheiro.Ainda dói e causa revolta, porque eu pensei que não causaria mais? Porque eu pensei que a ferida ia melhorar. Eu lembro de nós dois, era tão certo, e do nada teve um fim. Eu espero você chegar, espero o telefone tocar, espero ouvir sua voz, mas eu sei que não virá. Sei que tudo que deixou é isso, lembranças numa memória fotográfica.
Preciso respirar. Me dê um segundo para tomar fôlego outra vez, pra poder mergulhar de novo nos pensamentos.
Eu sei que quando eu voltar à superficie, a ferida estará latejando. Mas não posso me negar esses últimos momentos de nostalgia, não posso impedir meus pensamentos, não posso barrá-los, eles simplesmente me invadem. Até porque tudo o que era nosso mexe comigo, afeta meus movimentos, minha fala. Um segundo e tudo volta ao normal, ou quase isso.







