quinta-feira, 11 de março de 2010

- Então é isso

É o fim, mesmo? É o que sobrou mesmo. Depois de tudo, depois dos sorrisos, dos abraços, beijos... o que sobrou foi isso? Uma pilha de fotografias, uma pilha de lembranças, de pedaços de mim. Pedaços espalhados pelo chão, pedaços do meu interior. Não sobrou só isso, não em mim. Sobrou ainda a brisa trazendo o perfume que você usava, sobrou o travesseiro vazio ao meu lado. Sobrou um buraco enorme dentro de mim, uma ferida em carne viva, ardendo, doendo fisicamente. Sobrou a falta de sono, a incapacidade de adormecer, a insônia. Sobrou o gosto da sua boca na minha, sobrou a cor dos seus olhos e, ainda que os meus permaneçam fechados, é só os seus que eu vejo. Sobrou a melodia da sua voz, da canção abafada nas cordas da guitarra, sobrou o som da sua risada, sobrou o som do seu silêncio, o melhor silêncio do mundo. Sobrou um reflexo no espelho, que eu olho e não acredito no que vejo. Os olhos sem vida, os lábios em uma linha fina e séria, o formato esguio do rosto. Essa sou eu? Não, é apenas o que sobrou de mim, é isso.

- Toda garota

É normal, nós garotas, termos muitas, muitas, muuuuuuuitas coisas em comum. Por exemplo, toda garota tem, pelo menos, dois ou três tipos de comprimidos para cólicas, um pacote de absorvente reserva e um gloss básico sempre à mão. Toda garota tem um kit de maquiagem com base, pó, blush, sobra e rímel, e viver sem eles é praticamente impossível. Toda garota tem um perfume para ocasiões especiais e outro mais light, toda garota tem um vestido de matar ou um jeans bem apertado e usa eles na certeza que vai arrazar. Toda garota anda de salto alto para ficar mais sexy, mesmo tendo medo ou estando com os pés doendo. Toda garota tem, no mínimo, um ex que dá aquele sorriso ou piscadinha pra te cumprimentar quando você passa. E é óbvio que toda garota tem a atual do seu ex, que te olha de cima à baixo séria e depois abraça o seu ex pra provocar, o que te faz rir, é claro. Toda garota gosta de pelo menos um cara, e se não gosta de um cara, tem atração física fortíssima por uns quatro. Toda garota tem aquela melhor amiga, ou aquelas melhores amigas, que sempre estão ali pra te apoiar independente da hora, e serem paparicadas e protegidas por você. Mas também, toda garota tem um melhor amigo, ou pelo menos aquele menino que ela conversa mais, que vê como amigo mesmo, não como opção ou alvo. É claro que toda garota tem seu charme, seu ponto forte, seja o sorriso, o olhar, a jogada do cabelo, o jeito de andar, a voz ou tudo isso junto. Só que toda garota já chorou por um cara, que certamente não valia nada mas mesmo assim era tudo pra ela. Toda garota já quis morrer por algum motivo, mico ou sofrimento de força maior. Toda garota já torceu o salto em público, já dançou até se acabar, bebeu demais e fez algumas cagadas. Toda garota já deixou de beber com as amigas na festa pra ajudar a levar elas pra casa e depois ficou falando que foi a única que não bebeu pra ajudar as meninas a lembrar das coisas. Toda garota já passou por isso, afinal toda garota é igual!

sexta-feira, 5 de março de 2010

- mãe

Mãe, me desculpa por não ser o que eu deveria ser.
Mãe, eu sei que você é a única que vai sempre me acolher quando eu estiver só, quando ninguém mais me quiser por perto. Mãe, você me esperou por nove meses e chorou de emoção quando eu CHUTEI sua barriga. Você já quis bater em outras crianças por minha causa, já deixou de comprar as suas coisas pra comprar aquele vestido lindo que eu me apaixonei e era caríssimo.
Mãe, por favor me perdoe se eu gritei, me perdoe se eu te ofendi. Mas é que mãe, as coisas não são tão fáceis assim, apesar da pouca idade eu tenho meus momentos difíceis. Mãe, me perdoa se por acaso eu te irritei, se eu deixei de fazer alguma coisa, se eu deixei o tênis no meio da sala, se deixei o copo na mesa do computador, se acabei com o saldo de ligações do seu celular ligando para as minhas amigas. Mãe, por favor, por favor, me perdoa se eu gritei no meio da discução "EU TE ODEIO", porque é mentira. Mãe eu te amo, amo mais que qualquer um.
Obrigada mãe, por todas as vezes que você trocou minhas fraldas, pelos banhos e pelos mimos. Obrigada, quando eu fiquei doente, por você tirar minha temperatura de dez em dez minutos e por comprar tudo o que eu queria comer. Obrigada por perguntar se eu tinha melhorado, sendo que a senhora tinha perguntado isso à menos de quinze minutos. Obrigada por chorar quando eu chorava, por sorrir quando eu sorria e por sofrer se eu sofria. Obrigada por ser mãe e ser pai ao mesmo tempo, isso nunca foi fácil.
Mãe, eu te amo, mas só isso não basta.


quarta-feira, 3 de março de 2010

- fear

Já teve medo de alguma coisa? Já teve medo, pavor, arrepios ou qualquer vestígio de pânico ao falar ou ver algo?
Medo é algo que não se define. Eu, particularmente falando, tenho medo de ter medo. O medo te paraliza, te sufoca, dá um nó na garganta, amolece as pernas, faz o cérebro ficar mais lento, faz você transpirar até a última gota de líquido do seu corpo. Eu tenho medo de ter medo na sua frente, de me petrificar de novo, de embaralhar as palavras -se sair alguma palavra, é claro. Morro de medo, literalmente, todos os dias. Medo de não acordar amanhã e pior medo de acordar pra realidade, uma realidade sem você. Medo de sonhar com você indo embora, medo de sonhar com você comigo. Medo, medo, medo... Odeio ter medo. Medo de fraquejar, medo de não sustentar a base, de não segurar a máscara, de não viver sem você.