quinta-feira, 29 de abril de 2010

- one second to breath

Hoje, indiferente dos demais dias, pensei em você. Lembrei de você, de mim, de nós, do nada que ficou, do tudo que antes era. Fiquei fantasiando com as lembranças e quando vi estava falando sozinha pela sala. Sentada no chão frio, me dei conta de quão sozinha estava. Uma casa vazia, as paredes sem cor, o ar sem seu cheiro... eu sem você. Parecia tão melhor antes, tão mais aconchegante, tão menos cinza. As nuvens tampam o sol lá fora, mas ainda que ele brilhe, aqui dentro ainda é frio. Quase pude sentir seu toque, quase senti seu cheiro.
Ainda dói e causa revolta, porque eu pensei que não causaria mais? Porque eu pensei que a ferida ia melhorar. Eu lembro de nós dois, era tão certo, e do nada teve um fim. Eu espero você chegar, espero o telefone tocar, espero ouvir sua voz, mas eu sei que não virá. Sei que tudo que deixou é isso, lembranças numa memória fotográfica.
Preciso respirar. Me dê um segundo para tomar fôlego outra vez, pra poder mergulhar de novo nos pensamentos.
Eu sei que quando eu voltar à superficie, a ferida estará latejando. Mas não posso me negar esses últimos momentos de nostalgia, não posso impedir meus pensamentos, não posso barrá-los, eles simplesmente me invadem. Até porque tudo o que era nosso mexe comigo, afeta meus movimentos, minha fala. Um segundo e tudo volta ao normal, ou quase isso.

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