É o fim, mesmo? É o que sobrou mesmo. Depois de tudo, depois dos sorrisos, dos abraços, beijos... o que sobrou foi isso? Uma pilha de fotografias, uma pilha de lembranças, de pedaços de mim. Pedaços espalhados pelo chão, pedaços do meu interior. Não sobrou só isso, não em mim. Sobrou ainda a brisa trazendo o perfume que você usava, sobrou o travesseiro vazio ao meu lado. Sobrou um buraco enorme dentro de mim, uma ferida em carne viva, ardendo, doendo fisicamente. Sobrou a falta de sono, a incapacidade de adormecer, a insônia. Sobrou o gosto da sua boca na minha, sobrou a cor dos seus olhos e, ainda que os meus permaneçam fechados, é só os seus que eu vejo. Sobrou a melodia da sua voz, da canção abafada nas cordas da guitarra, sobrou o som da sua risada, sobrou o som do seu silêncio, o melhor silêncio do mundo. Sobrou um reflexo no espelho, que eu olho e não acredito no que vejo. Os olhos sem vida, os lábios em uma linha fina e séria, o formato esguio do rosto. Essa sou eu? Não, é apenas o que sobrou de mim, é isso.
quinta-feira, 11 de março de 2010
- Então é isso
É o fim, mesmo? É o que sobrou mesmo. Depois de tudo, depois dos sorrisos, dos abraços, beijos... o que sobrou foi isso? Uma pilha de fotografias, uma pilha de lembranças, de pedaços de mim. Pedaços espalhados pelo chão, pedaços do meu interior. Não sobrou só isso, não em mim. Sobrou ainda a brisa trazendo o perfume que você usava, sobrou o travesseiro vazio ao meu lado. Sobrou um buraco enorme dentro de mim, uma ferida em carne viva, ardendo, doendo fisicamente. Sobrou a falta de sono, a incapacidade de adormecer, a insônia. Sobrou o gosto da sua boca na minha, sobrou a cor dos seus olhos e, ainda que os meus permaneçam fechados, é só os seus que eu vejo. Sobrou a melodia da sua voz, da canção abafada nas cordas da guitarra, sobrou o som da sua risada, sobrou o som do seu silêncio, o melhor silêncio do mundo. Sobrou um reflexo no espelho, que eu olho e não acredito no que vejo. Os olhos sem vida, os lábios em uma linha fina e séria, o formato esguio do rosto. Essa sou eu? Não, é apenas o que sobrou de mim, é isso.
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